239 – Educação: projetos e valores

Um texto fenomenal para quem trabalha com projetos. Em se tratando da escola, o professor deve se precaver para que o projeto não resulte em mero trabalho operacional. Ao projeto, se atribui diversas possibilidades no processo de aprendizagem, isto é, apesar de se estipular metas e ações, é também necessário que o projeto sofra alterações no meio do caminho. Novas indagações serão criadas, novas ações a serem tomadas e, é válido também aquele risco de “não dar certo”.
O projeto se envolve com valores, cidadania, caráter, personalidade e o interesse no coletivo. É um contínuo querer ser, ou querer atingir. É importante, portanto, acreditar na ilusão que se faz, na projeção que o ser humano se faz no futuro. O projeto é um objetivo a ser conquistado, mas que se expõe a múltiplas transformações.
Entre outras análises, o texto fornece uma boa ideia para que o educador possa fornecer um ambiente mais propício para que o educando se torne protagonista do seu projeto.

105 – Rivalidades Produtivas – Michael White

Olá, gostaria de escrever brevemente sobre um livro em que a leitura ainda se desata. Rivalidades produtivas de Michael White descreve episódios de vários “conflitos” em temas da ciência que resultaram em certos “progressos” na pesquisa. Em alguns casos, a disputa científica também pode ser considerada como um freio no desenvolvimento, uma vez que está também atrelada à vaidade e protecionismo pessoais.

Li alguns capítulos de forma independe, como a disputa entre Newton e Leibniz em relação ao cálculo e a corrida armamentista para o desenvolvimento da bomba atômica entre os Aliados e o Eixo. Outros capítulos abordam outros conflitos, como Lavoisier e Priestley, Darwin e Owen, Thomas Edison e Nikola Tesla, entre outras disputas. A contextualização que o livro traz se mostrou, pelo menos para mim, um excelente recurso no preparo das aulas para o Ensino Médio, pois aborda o contexto histórico, desfazendo assim o ensino de física com abordagem puramente tecnicista. O aspecto histórico abstrai o olhar direcionado ao conteúdo, permitindo abertura a novas questões como, qual o objetivo da ciência? A quem ela serve? Quem impulsiona a ciência? Ou o que a ciência impulsiona?

Mesmo estas questões acabam por criar motivação do conteúdo em si. Por exemplo, ao se falar no desenvolvimento dos modelos atômicos e os experimentos envolvidos, os fatos históricos vão acompanhando o conteúdo específico. E assim, novamente, o conteúdo específico se alimenta da tensão que os acontecimentos históricos vão apresentando.

No final, acredito que tudo é relação e, quanto mais conexões permitimos que os alunos façam dentro da sala de aula, mais complexo se tornará seu pensamento e sua crítica frente ao conhecimento.

Gostaria de deixar aqui um pequeno desabafo atrelado a uma leve sugestão para o ensino de ciências. O sistema apostilado está estruturado num formato que não necessariamente foi pensado pelo professor. Dar aula é em si um respeito as habilidades e experiência do professor. Portanto, é natural e permitido, que um professor traga para dentro da sala de aula seus gostos e conhecimentos gerais que possam ser usados como facilitadores no comunicar com os discentes. Acredito, então, que o professor deve manter-se em contato com outros livros e artigos, além de apostilas e livros didáticos, de forma que indiretamente os alunos tenham por lido Stephen Hawking, Michael White, Brian Greene, Isaac Asimov, Physics Today, Revista Ciência Hoje, entre outros, mesmo sem saber. Ensinar é também um processo de aprendizagem para aquele que ensina.

rivalidades-produtivas-michael-white

71 – A importância da leitura na escola

Não importa a disciplina,  a leitura é fundamental para o desenvolvimento da interpretação e compreensão da informação. Auxilia na organização das ideias e explora os diferentes tipos de leitura, do romance ao científico. Não só a leitura, mas a escrita se faz importante para a afirmação do entendimento. Exteriorizar as ideias em conflitos, que surgem de um conhecimento prévio com as expostas pelo texto, serve como indicativo ao professor quanto à atividade. O texto a seguir, publicado na página da “Escola Nova” fornece aos professores um embasamento para a produção de algumas atividades.

http://novaescola.org.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/bons-leitores-bons-alunos-423585.shtml?utm_source=tag_novaescola&utm_medium=facebook&utm_campaign=mat%C3%A9ria&utm_content=link

Bons leitores são bons alunos em qualquer disciplina

Quando a garotada lê bem (e compreende o que lê), tem mais chances de sucesso. Muitos professores já descobriram isso. E você?

Márcio Ferrari (novaescola@fvc.org.br)

Foto: Marta Santos, assistente Daniel Santos / Agradecimentos: Colégio Manoel Moratto

 

Trabalhar produção de textos e leitura é tarefa de todos os professores, não só dos que lecionam Língua Portuguesa. A capacidade de entender e produzir textos é fundamental em qualquer disciplina, de História até Matemática. Cada área tem textos com características específicas e não dá para deixar tudo por conta do professor de Língua Portuguesa. “Não é que agora todo mundo tem de ensinar português e cuidar da correção ortográfica”, diz a consultora Maria José Nóbrega, de São Paulo. “Só o professor de cada área sabe se o texto que ele pediu está adequado em termos de vocabulário ou clareza da argumentação, por exemplo.”

É comum o professor de Matemática propor um problema às crianças e perceber que muitas teriam conhecimento para solucioná-lo, mas não conseguem chegar lá porque não entendem o enunciado. “Há alunos que sabem o raciocínio, mas têm dificuldade de escrever e de ler corretamente”, diz Kátia Smole, coordenadora do Mathema, empresa de consultoria em educação matemática de São Paulo.Textos científicos ensinam a comparar opiniões

O estudo de texto nas aulas de Língua Portuguesa costuma se restringir a narrativas de ficção, relatos pessoais (como cartas) ou notícias tiradas da imprensa. Para o estudante, isso não é suficiente, porque há muitos outros tipos de texto que ele precisa compreender. “Cada área deve investir nos gêneros que fazem parte do seu dia-a-dia”, diz Maria José. Foi por isso que Daniel Helene, professor de História da Escola da Vila, de São Paulo, resolveu propor um trabalho de leitura e produção de texto técnico aos alunos da 5ª série, um dos 12 projetos vencedores do Prêmio Victor Civita Professor Nota 10 de 2004.

Com essa atividade, Daniel conseguiu o que queria: familiarizar a garotada com a escrita científica, que exige planejamento prévio para organizar idéias e atenção à clareza dos conceitos. A turma compreendeu que a linguagem formal facilita a comunicação com o leitor que não se conhece. Por isso, ela é a mais eficiente quando se escreve um texto para ser publicado, seja no jornal da escola ou em sua página na internet.

Os textos de ciências humanas têm outras características peculiares, como revelar a ideologia do autor e expor visões diferentes sobre um tema. Se os alunos forem acostumados a ler vários modelos de texto (de documentos oficiais a ensaios científicos), vão desenvolver espírito crítico para perceber essas nuances. Em pouco tempo saberão expor as próprias idéias por escrito, com argumentos destinados a convencer o leitor.

Na Matemática, o desafio é traduzir palavras em símbolos

A atividade com texto nas aulas de Matemática envolve outros desafios, como a relação entre duas linguagens diferentes as palavras e os símbolos matemáticos. Só o professor da área pode trabalhar satisfatoriamente a combinação de linguagens presente na resolução de problemas. Para solucioná-los, pede-se ao aluno que traduza uma situação inicialmente descrita em palavras para uma forma mais abstrata, composta de números e sinais.

Isso leva a criança a desenvolver habilidades de raciocínio e representação, que ela poderá usar em outras situações, cada vez mais complexas. Resolver uma questão matemática com desenhos pode ser um bom começo para que a garotada das primeiras séries se sinta à vontade no trânsito entre as duas linguagens. Por exemplo: peça que os alunos, por meio de desenhos, distribuam nove lápis em três estojos ou 12 bolas entre quatro crianças.

O trabalho com leitura e escrita em Matemática já pode ser proposto nas primeiras séries. A atividade em grupo é muito produtiva nessa fase, tanto para desenvolver habilidades de comunicação quanto para revelar ao professor e aos próprios alunos o quanto aprenderam e quais dificuldade ainda têm.

A professora Mirela Landulfo, do Colégio Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, utiliza textos nas aulas de Matemática desde a 2ª série. Para ela, essa é a melhor forma de levar as crianças a refletir sobre o que aprendem. Para ensinar tabuada, por exemplo, ela usa jogos e histórias em quadrinhos e depois pede que os alunos escrevam sobre a experiência. Os relatos dos estudantes sobre o Bingo da Tabuada em que eles têm de achar o resultado de uma multiplicação em suas cartelas de números mostraram a Mirela que alguns ficavam atentos às peças do jogo, outros às regras e os demais ao conteúdo matemático. Com base nisso, a professora concluiu que deveria continuar investindo na atividade até que a maior parte da turma constatasse, sozinha, como funciona a tabuada e também avaliasse o próprio aprendizado.

Para que a garotada da 7ª série conseguisse passar aos colegas os conceitos aprendidos, a professora Neide Pessoa dos Santos, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Afrânio de Mello Franco, em São Paulo, realizou uma atividade que envolveu todas as turmas. Primeiro, propôs um problema aos alunos de uma classe. Depois, cada um escreveu uma carta, com indicações sobre a resolução, para um colega anônimo de outra sala. O tal colega mais tarde enviou uma resposta, avaliando as dicas recebidas e contando como solucionou o problema. “O exercício pedia um cuidado especial com o texto e ampliou o vocabulário matemático dos meninos”, diz Neide. O empenho das turmas foi tão grande que os professores adaptaram a experiência, com sucesso, para o laboratório de informática. Os alunos ensinaram uns aos outros, por escrito, como desenvolver um software que constrói mosaicos.

O que todo professor pode fazer

• Estimular o gosto pela leitura.

• Fazer perguntas e discutir o que foi lido.

• Avaliar o aprendizado por escrito.

• Mostrar a importância do vocabulário específico.

• Incentivar a clareza ao escrever.

• Treinar a habilidade de organizar ideias.

Quer saber mais?

Colégio Nossa Senhora Aparecida, Al. Jauaperi, 416, 04523-903, São Paulo, SP, tel. (11) 5054-4399

Escola da Vila, R. Alfredo Mendes da Silva, 55, 05525-000, São Paulo, SP, tel. (11) 3751-5255,www.escoladavila.com.br

Escola Municipal de Ensino Fundamental Afrânio de Mello Franco, R. Acambaro, 39, 04827-250, São Paulo, SP, tel. (11) 5667-0412

Bibliografia
Construir e Ensinar as Ciências Sociais e a História, Mario Carretero, 144 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-7033444, edição esgotada

Ler e Escrever: Compromisso de Todas as Áreas, Iara Conceição Bitencourt Neves e outros, 232 págs., Ed. da Universidade, tel. (51) 3224-8821, 25 reais

Ler, Escrever e Resolver Problemas, Kátia Stocco Smole e Maria Ignez Diniz (orgs.), 204 págs., Ed. Artmed, 48 reais

65 – Educom.rádio

Uma forma de aprendizagem que proporcionou liberdade, expressão, respeito e interação aos alunos da prefeitura de São Paulo.

O papel da educomunicação é bem tratado na fala do supervisor geral do educom.rádio Ismar Soares.

“O objetivo da educom.rádio é permitir que a rede pública das escolas do município de São Paulo introduzam a educomunicação como uma filosofia e uma prática, isto é, o que nós queremos e estamos dando subsídios é permitir que um grupo de 12 mil pessoas da rede possam replanejar suas práticas a partir do eixo da comunicação, isto é, quando eles pensarem numa aula, pensarem numa atividade extra classe, pensarem sempre, como é que estou me comunicando neste processo. E quando pensarem num projeto pedagógico, pensarem sempre, como esse processo pedagógico ajuda as relações de comunicação. E finalmente, permitir que as escolas do município dialoguem com os meios de comunicação, dialoguem com a televisão, rádios e com jornais. Saibam fazer com que as crianças e professores leiam adequadamente os meios de comunicação e saibam até chegar aos meios, e permitir que, através dos meios, as próprias crianças e professores dialoguem com a sociedade. Essa é nossa grande meta. E o grande ponto positivo desse projeto é que nós estamos transformando a educomunicação em políticas públicas.”