185 – Filme – A Morte de Luís XIV

Um filme quase estático, poucos cenários e ambientes de pouca iluminação. Em seus últimos momentos de vida, o Rei Luís XIV, na França, é acompanhado por seus funcionários numa árdua tarefa de cuidar da gangrena que se desenvolve em sua perna, condenando grande parte de sua mobilidade. No início do século XVIII, a medicina ainda não era dotada de muitas técnicas e medicamentos para tratamento de certas doenças, sendo portanto, uma brecha para que alguns charlatões pudessem ser uma opção no tratamento de doenças.

O filme não traz muitas informações históricas, mas sim, a proposta do diretor é convidar o espectador a sentir o ritmo lento da rotina do Rei Sol em sua condição debilitada, já quase impossibilitado de andar. Alguns costumes franceses são postos em evidências, como a recusa do rei de beber água em taça que não seja de cristal. Tais momentos acabam até se tornando cômicos aos olhares atuais.

Qual a ligação deste filme com a ciência? Mais diretamente, o filme abordou como a medicina poderia lidar com a doença do rei. Entretanto, minha expectativa era perceber alguns precedentes deste início do século XVIII para com o movimento iluminista, que influenciou fortemente a forma do pensamento racional. Isto não ocorre, porém, de qualquer modo, permiti-me apreciar o filme que mais se assemelha a uma tela de pintura devido sua falta de dinamismo e rico nas decorações, vestimentas e gestos franceses da época. O que de fato não é um aspecto negativo, uma vez que a intenção do diretor era acalmar seus batimentos cardíacos para assim corroborar com a lentidão da vida do rei em seus últimos momentos.

99 – A batalha da água pesada

Com os estudos da física nuclear, as propriedades do átomos começam a mostrar certas potencialidades. Lise Meitner, Otto Hahn e Fritz Straussmann descobriram a fissão nuclear e a explicaram com o auxílio da famosa equação de Eintein, E = mc². A diferença de massa entre produtos e reagentes equivale à energia liberada no processo. A energia liberada decorrente de uma fissão pode ser considerada desprezível, entretanto, uma reação em cadeia tinha potencial de liberar energia considerável e causar certa destruição. Frédéric Joliot-Curie descobriu a reação em cadeia e assim cientistas perceberam o risco que tais descobertas estavam por encaminhar. A Alemanha nazista contava com a inteligência de Werner Heisenberg para desenvolver uma super-arma. Enquanto isso, nos EUA, uma aliança entre as mais brilhantes mentes da comunidade científica se esforçava também no desenvolvimento da bomba atômica por fissão nuclear (Edward Teller já imaginava a bomba por fusão nuclear, mais forte que a de fissão). Cabeças como Feynman, Szilard, Neumann, Fermi, Bohr, Chadwick, entre outros, liderados por Robert Oppenheimer pensavam nas soluções dos problemas técnicos da bomba nuclear. Este projeto foi uma aposta em aproximar duas equipes distintas. A comunidade científica e a militar. Enquanto a militar possui uma forma de trabalho totalmente sigilosa e resguardada, sempre preocupada com a vigilância e segurança, o fazer científico era uma atividade que necessitava da troca de ideias e discussões, portanto, espaços abertos e dialogáveis. Possíveis desentendimentos entre os dois setores eram dissolvidos pela inteligência emocional e habilidade de controlar relações de Oppenheimer. Foi um líder nato.

Apesar de não compactuar com os ideias nazistas, Heisenberg era patriota fanático. O desenvolvimento da bomba enfrentava alguns problemas técnicos. Eles utilizavam algum material como “moderador”, ou seja, que freava a reação em cadeia. Esse material poderia ser uma barra de grafite ou água pesada (composto de deutério, isótopo do hidrogênio com dois nêutrons e um próton no núcleo). A Alemanha possuía grande quantidade de água pesada nas instalações na Noruega que foi atacada pelos ingleses. E para este momento, fica uma super dica: A BATALHA DA ÁGUA PESADA. Uma minissérie produzida pela tv norueguesa. Espero que ela esteja disponível em algum lugar na internet!

95 – Mononoke Hime

Animação de Hayao Miyazaki! Produzida pelo estúdio Ghibli, no Japão, e lançado em 1997 no país. Suas animações me chamam atenção pela sua arte e pela personalidades dos personagens. É complexo o julgamento sobre as ações dos personagens. Quem é do bem e quem é do mal? Na minha visão, Miyazaki aborda a condição humana como um eterno aprendizado. Um ser que age por suas necessidades mais imediatas, e talvez, gananciosas, mas que conserva também um sentimento de preservação  e bondade. Os resultados das ações humanas são uma segunda oportunidade do próprio homem de se repensar.

E por que esta animação é postada num blog de ciência? Pois é abordada a produção tecnológica atrelada a produção armamentista. Esta associação da produção científica com corridas armamentistas são frequentes em fatos históricos. É o lado nefasto da ciência, que alimentada por certos ideais acabam servindo de ferramenta de dominação. A discussão é longa…mas, por hora, que comece a sessão!

50 – A ciência do filme interestelar!

Viagens interestelares são possíveis? O que há dentro de um buraco negro? Dá pra viajar no tempo? Existem outras dimensões? O filme Interestelar nos leva ao longo de uma fantástica viagem muito além dos confins do nosso sistema solar. Nesta palestra, o Prof. Nemmen revelará que os incríveis eventos fictícios do filme, assim como os efeitos especiais inéditos, são baseados em áreas fascinantes da ciência. O Prof. Nemmen falará sobre buracos negros, viagens interestelares, planetas fora do sistema solar, buracos de minhoca e mais, descrevendo as leis que governam o nosso universo e os fenômenos assombrosos que estas leis tornam possíveis.

http://iptv.usp.br/portal/video.action?idItem=28131

Interestelar