412 – O que é o PISA?

PISA é uma avaliação sobre a qualidade de ensino de um país. A avaliação é organizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), mas cada país possui um órgão interno para organização da prova. No caso do Brasil, a responsabilidade fica na conta do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). A avaliação do PISA verifica as habilidades em leitura, matemática e ciências. Cada avaliação, aplicada a cada três anos, possui aprofundamento em um dos temas de forma intercalada.

Não apenas o desempenho dos estudantes são considerados na pontuação final, mas outros fatores como a comparação entre as notas entre jovens de diferentes perfis culturais e econômicos são levados em conta. É considerado um bom fator caso não exista diferenças no desempenho de jovens de perfis diversos.

A partir de tais resultados, a OCDE é capaz de correlacionar os desempenhos com os sistemas educacionais, estabelecendo quais as características possíveis para melhor ensino. Compara-se a remuneração dos professores, o tamanho das classes e a forma como é determinado o currículo do ensino. O currículo pode ser flexível, sendo determinado por cada escola ou é impelido por um órgão central do governo.  É possível, também, entrelaçar dados do desempenho educacional do país com seu nível econômico, aparecendo alguns casos interessantes como Shangai (região sobre administração da República Popular da China), que está no topo do ranking educacional, mas não está entre os melhores perfis econômicos.

Cada país, portanto, com todos esses dados em mãos pode elaborar melhores estratégias políticas para a melhoria de ensino de seus jovens.

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391 – Educação durante o Regime Militar

A revista digital Nova Escola traz alguns dados avaliativos da educação durante o regime militar. Informações sobre o número de reprovações, taxa de analfabetismo, entre outros critérios estipulados, comparando o período do regime militar e a redemocratização. Boa leitura!

https://novaescola.org.br/conteudo/12558/a-educacao-era-melhor-na-epoca-da-ditadura

379 – Esperando pelo superhomem [DOCUMENTÁRIO]

Documentário que retrata o sistema educacional americano. À primeira vista, pode-se imaginar que o ensino básico americano tenha um dos melhores índices educacionais por se tratar de uma potência mundial, entretanto, o documentário revela péssimos desempenhos em matemática e leitura, associando os resultados à qualificação de professores de escolas públicas e às dificuldades sociais enfrentadas pelas famílias de menor renda em regiões mais periféricas.

A questão da estabilidade parece ser posta como tema central quando se discute o desempenho dos professores. Após dois anos de trabalho, os professores tem a garantia de não serem demitidos, independentemente da forma como estejam trabalhando. A estabilidade, portanto, é definida como o motivo de alguns professores não se dedicarem às suas atividades. A solução encontrada pelas escolas para lidar com este problema de “ineficácia” dos professores se resume basicamente em transferir seu profissional para outra escola, que por sua vez, transfere-o para uma terceira e assim sucessivamente. É a chamada “dança dos limões”.

Já no estado de Nova York, os professores “incompetentes” são destinados à audiência disciplinar. O processo de julgamento é lento, os professores ficam afastados das atividades, porém, comparecem a uma sala onde ficam a ler e jogar baralhos. Todo processo pode levar até três anos para algum tipo de decisão, sendo que durante todo esse tempo o professor continua recebendo seu salário integral, o que pelo documentário soma um valor de 100 milhões no ano.

Somado a isso, os jovens e principalmente mães e pais descontentes com a qualidade de ensino da escola, enfrentam uma acirrada disputa para ingressar numa escola qualificada. As mães apresentadas no documentário demonstram preocupação em garantir uma boa educação aos filhos, para tanto, tentam garantir o lado financeiro com a rígida rotina de trabalho. Ao final de um ciclo, a esperança ressurge com o sorteio de vagas para o ingresso em boas escolas. Isso se dá quando o número de candidatos é maior que o número de vagas.

O documentário aponta alguns problemas em específico, devemos, por outro lado, verificar o cenário educacional de forma complexa, buscando outras variáveis que possam influenciar no desempenho educacional americano. Importante ressaltar o cuidado de associar simploriamente os problemas educacionais somente ao desempenho de professores, estes que enfrentam tantos outros problemas como motivação, desgastes psicológicos, dificuldades financeiras, ritmo de trabalho. E por mais que o contexto seja o norte americano, fica claro que a área da educação é um desafio global que envolve a valorização do setor educacional público e consequentemente atrela as questões sociais de uma comunidade. Os problemas enfrentados aqui, em terras brasileiras, assemelham-se pela desvalorização do profissional da educação e a precarização das escolas públicas e, mais recentemente, das escolas privadas, quando tentaram anular a convenção coletiva dos professores da rede particular, documento que garante alguns direitos à classe de professores.

Bom documentário!

https://vimeo.com/67325868

Esperando pelo super-homem

360 – SOBRE O CELULAR – VOX

O celular tornou acessível diversas tarefas que há pouco tempo só eram possíveis se você sentasse em frente a um computador ou até mesmo se você saísse de casa para encarar uma fila de banco. Diversos aplicativos estão reunidos ao alcance de apenas um só dedo de sua mão. Entretanto, este amontoado de facilidades é organizado por uma arquitetura de design que aprisiona sua atenção, e quando isto acontece, o aparelho que deveria facilitar acaba atrapalhando a sua vida de maneira drástica e contínua. Surge um vício, sendo ainda mais problemático quando se trata de futilidades.

Como professor, considero que este aparelho moderno pode ser utilizado sim como ferramenta em sala de aula. Entretanto, seu uso deve ser muito bem ajustado aos propósitos da aula. Acontece que percebo a juventude, dentro de sala de aula, reféns deste aparelho. Notificações sem urgências, conversas sem necessidades, vídeos de entretenimento e memes que atraem a atenção da moçada de forma desesperadora. Surge um desejo intenso de interação com o aparelho que deve ser saciado instantaneamente, uma vontade irremediável e incontrolável. E o desejo da satisfação não cessa, pois, a quantidade de atrativos é infindável. O sintoma do vício está constatado. A direção da atenção só aponta para a tela do celular e tudo ao seu redor se torna indigno da mesma. Um novo ser deste novo século, tão frágil quanto as tecnologias queiram que sejam para se tornar consumidores compulsivos por qualquer coisa que se faça mostrar.

Gostaria de compartilhar esta nova sequência de estudos sobre as transformações no ser, causadas pelo uso do celular. E fica a pergunta que aparece no final do vídeo a seguir: “o que vale realmente a sua atenção?”